sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Reforma

Eis que resolvo pintar meu apartamento e me deparo com pedreiros, encanadores e marceneiro... e o pior que não tinha previsto nenhum deles, apenas o pintor!!
cano estourado, parede desabando, que desespero!!!! a vontade que me deu foi sair correndo sem olhar para trás.

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Balangadans

"balançando os balangadans, chinela de couro no pé... Mercado Modelo "- não aguento mais esse jingle... pense o dia todo essa pertubação nos seus ouvidos - fora os dilingue dom dos berimbaus e dos leres das capoeiras"

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Lembranças

Eis que de repente me deparo com um poema, que marcou a minha adolescência, quando eu fazia um curso de teatro, no qual minha mãe me proibiu, alegando que Teatro era coisa de viados e drogados, uma pena que ela pensava dessa forma, e eu perdi uma grande oportunidade de atuar numa peça linda, montada pelo grupo, Acho que um dia eu curo isso Em terapia।
Divido esse poema com vocês

"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,Estendendo-me os braços, e segurosDe que seria bom se eu os ouvisseQuando me dizem: "vem por aqui"!Eu olho-os com olhos lassos,(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)E cruzo os braços,E nunca vou por ali...A minha glória é esta:Criar desumanidade!Não acompanhar ninguém।--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontadeCom que rasguei o ventre a minha mãe.Não, não vou por aí! Só vou por ondeMe levam meus próprios passos...Se ao que busco saber nenhum de vós responde,Por que me repetis: "vem por aqui"?Prefiro escorregar nos becos lamacentos,Redemoinhar aos ventos,Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,A ir por aí...Se vim ao mundo, foiSó para desflorar florestas virgens,E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!O mais que faço não vale nada.Como, pois, sereis vósQue me dareis machados, ferramentas, e coragemPara eu derrubar os meus obstáculos?...Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,E vós amais o que é fácil!Eu amo o Longe e a Miragem,Amo os abismos, as torrentes, os desertos...Ide! tendes estradas,Tendes jardins, tendes canteiros,Tendes pátrias, tendes tectos,E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.Eu tenho a minha Loucura!Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;Mas eu, que nunca principio nem acabo,Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!Ninguém me peça definições!Ninguém me diga: "vem por aqui"!A minha vida é um vendaval que se soltou.É uma onda que se alevantou.É um átomo a mais que se animou...Não sei por onde vou,Não sei para onde vou,Sei que não vou por aí.

Cântigo Negro - José Régio

Viva 200 Anos

Como viver 200 anos ! Vá mais lugares, Abrace Mais amigos, Dance Mais, Diga menos nãos, Invente menos problemas, Coma mais sobremesas , Pratique mais esportes, Ria mais de si mesmo, Vá mais ao cinema, Saia mais com os amigos, Cante mais, Plante uma árvore, Brinque mais, Tire mais fotos, Visite o céu , Visite o fundo do mar, O topo de uma montanha! Beije mais, Abrace mais, Conte mais piadas, Se apaixone mais vezes, Mesmo que seja sempre pela mesma pessoa !

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Poema Do Menino Jesus

Maria Bethânia
Composição: Fernando Pessoa

Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra।Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez menino, a correr e a rolar-se pela erva A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo aouvir-se de longe।Ele tinha fugido do céu। Era nosso demais pra fingir-se de Segunda pessoa da Trindade।Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e roubou três।Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado na cruz que há no céu e serve de modelo às outras।Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro raio que apanhou।Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo। É uma criança bonita, de riso natural।Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças d'água, colhe as flores, gosta delas, esquece।Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares, e foge a chorar e a gritar dos cães।Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha graça, Ele corre atrás das raparigas que levam as bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia।A mim, Ele me ensinou tudo। Ele me ensinou a olhar para as coisas। Ele me aponta todas as cores que há nas flores e me mostra como as pedras são engraçadas quando a gente as tem na mão e olha devagar para elas।Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo que nunca pensamos um no outro। Vivemos juntos os dois com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda।Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no degrau da porta de casa। Graves, como convém a um DEUS e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair no chão.Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios. Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo materno até Ele estar nu।Ele dorme dentro da minha alma। Às vezes Ele acorda de noite, brinca com meus sonhos। Vira uns de pena pro ar, põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho, sorrindo para os meus sonhos।Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu brincar.