Reclamamos demais da vida, moramos mal, dormimos mal, comemos mal, nos vestimos mal... Estamos todos enganados vivemos no paraíso e somos afortunados por tudo o que temos e merecemos, apenas falamos demais sem pensar em nada.
Ontem fiz um trabalho que me fez refletir muito, enxergar muitos aspectos e olhar a vida de uma forma mais verdadeira, mais humana.
Pessoas que vivem em uma linha abaixo da pobreza, que sobrevivem na miséria, que não tem acesso a educação, água, saneamento básico, deram-me uma lição. Ontem no ritmo frenético do trabalho não puder perceber, porém, hoje quando despertei meu coração apertou, lágrimas rolaram, a garganta travou!
Pude conhecer mulheres que andar 18 km, com um sol de 40º na cabeça sem uma sombra siquer para se proteger e dizendo que era perto (logo ali) de onde morava para a escola onde o seu filhinho estudava.
Homens ex-presidiários trabalhando na roça, sem outras opções de sobrevivência e com um grande arrependimento nos olhos e nas mãos, tudo por causa de preconceitos.
Famílias sem nenhum contato com o mundo moderno, com as tecnologias, se escondendo dentro de casa, porque nunca tinham visto uma câmera e achavam que poderia ser qualquer coisa.
Senhores encantados com o nosso travelling (carrinho de câmera), sorrindo, não explicitamente, apenas por trás de rugas e expressões sofridas.
Crianças que nunca tinham comido arroz, feijão e frango (todos juntos), e não sabiam que existia refrigerante ou suco de cajú.
A porrada em meu peito foi forte e somente hoje pude sentir a dor, esses fatos poderiam ter passado despercebido por mim, assim como passou por muitas pessoas que lá estavam no mesmo momento. Somente eu e poucas pessoas com o mesmo sentimento, é que sentimos, nos sensibilizamos com tudo.
Vi a seca, a abundância, a cabra, a vaca magra, o gado, o louco, o esperto, o sertão, o sol, a pobreza, a fartura, o sol, a lua.
Enxerguei que a mulher que leva o filho para a escola no sol forte, tem esperança!
Enxerguei que o homem que um dia foi presidiário, tem humildade!
Enxerguei que a família, tinha resistência, desconfiança!
Enxerguei que o Senhor, tinha nobreza!
Enxerguei que as Crianças, tinham alegrias!
Eu parei e me perguntei nós que "temos tudo" o que finalmente temos ?
terça-feira, 11 de novembro de 2008
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